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Abril 03 2009

A ideia dos peixinhos (ao meu vizinho e leitor, Duarte Antunes, a resposta por escrito à sua pergunta)

 

 

   Há muitos anos atrás, eu tive um aquário com peixes tropicais, num andar de três assoalhadas. Todos eles pequenos, todos eles diferentes, todos eles coloridos. Até maternidade eu construí, naquele aquário, quando reparei que uma das fêmeas estava prenha. Muitas vezes, eu parava a observar o seu comportamento, a sua vida aparentemente tão diferente da nossa. Mas, todos os dias, eu ficava diante daquele aquário, a ver se estava tudo bem, a alimentá-los e a verificar os instrumentos dos quais dependia a sua vida. Foi num desses momentos, depois dessa inspecção regular, em que me deixei ficar, ali, parada a olhar os peixes que reparei que havia um que estava sempre só, enquanto os outros se movimentavam em grupo. Preguei os olhos nele, para não mais o abandonar, acompanhando sempre os seus movimentos atentamente, como se quisesse ler neles, os seus hábitos ou a sua alma. Foi aí, nesse momento, enquanto observava o comportamento do peixe, e me interrogava porque estaria ele sempre só, sempre junto do vidro do aquário, aparentemente alheio a tudo quanto se passava no interior dele, e à vida que se desenrolava ao redor dele e ao qual pertencia por direito, que me surgiu a ideia que a vida dos peixes talvez não fosse assim tão diferente da nossa. Foi aí que criei o enredo e o escrevi num caderno escolar meu de capa preta, onde garatujava umas notas, de vez em quando. Este conto já se encontrava escrito há muito tempo, só que o perdi! Mas talvez tenha sido melhor assim, porque acabava mal o enredo e os dois peixes morriam no final, acabando toda a população por os encontrar e tirar conclusões positivas para eles, no sentido de, dali para a frente, mudarem a sua atitude. Agora, passados tantos anos, e sempre com a história na minha cabeça, quando tive finalmente um pouco de serenidade na minha vida, e depois de ter desistido de procurar o original, que parece ter desaparecido como por magia, assim como muito do material que escrevo, resolvi recontá-lo, mudando-lhe o final e, deste modo, trocando as lágrimas pelos sorrisos de felicidade e a dor pelo alívio e a realização pessoal. Eu, quando comecei a escrever, ainda pensei em trocar os peixes pelas pessoas, uma vez que esta é uma história de pessoas e para pessoas, mas depois, pensei, porque não os peixes? Afinal, eles foram os grandes responsáveis por esta história.

 

Fátima Nascimento 07/09/2007

(Maria de Fátima do Nascimento Dias)

publicado por fatimanascimento às 18:44

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